terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Corda bamba


Seja sensual, não demais ... seria vulgar , não de menos ... não quer ser uma puritana sem graça. Seja original, diferente, mas não bizarra. Seja feliz, mesmo que doa (ninguém se importa muito com nada além de si mesmo), e lembre-se sempre: não seja muito, não seja pouco. Seja inteligente, nada muito acentuado, nada de ser a nerd sabichona, mas inteligente sim, o suficiente pra não fazer ninguém passar vergonha, as pessoas não gostam de andar acompanhado de uma 'porta', pega mal, entende ?
Ah, e os atributos físicos então ? Tenha seios bonitos , não muito grandes , não muito pequenos , na medida. E isso vale pra barriga, pra bunda - acredite -, pra coxas , pra quadris, pra boca, pra QI. Tudo é passível de julgamento, tudo tem que estar na medida. Na medida de que ? - perguntam. Do que estabeleceram - respondo. Quem estabeleceu? - perguntam. Não faço a menor idéia - encerro.
Variando de lugar pra lugar , de sociedade pra sociedade e , ocasionalmente, de indivíduo pra indivíduo, os estereótipos se formam e de repente são uma exigência, pressupõe-se que você seja inteligente, engraçada, simpática e bonita, tudo na medida certa, na quantidade suficiente e ai de você se não for.
A verdade é que todos nós dessa sociedade manicomial, desse grande circo sem muita graça, andamos na corda bamba. Na busca de uma aparência perfeita, de um amor perfeito (pros poucos que ainda acreditam) , de um relacionamento perfeito, de uma carreira perfeita... e assim vai. Uma sociedade que se veste de democracia, se enfeita de um falso respeito à diferença e se cobre de um moralismo hipócrita, é nessa sociedade que vivemos, é isso que criamos. Um mundo em que tem de tudo em abundância, menos verdade.

Clara Delfino

Oi pessoas (que eu não sei se realmente existem),

Me deu vontade de retomar esse blog que já tinha ficado esquecido num cantinho da minha memória , enfim , aqui estou. Primeiro talvez seja bom explicar porque eu abandonei , porque eu sumi . Entre milhares de provas , e aulas , e festas , e coisas - das mais variadas possíveis - ficou difícil manter qualquer vida 'virtual', o único que eu ainda manti foi o fotolog , acho que mais pela possibilidade de ser um registro dos dias loucos , lindos e passageiros (como todos os outros) que vivi . Enfim , agora eu tô de férias e essa desculpa não deveria caber tanto , mas ainda cabe muito , me sobra muito pouco tempo pra tudo que eu quero assistir, ler , escrever, falar, fazer , mas vou tentando , quem sabe eu consigo ? O outro motivo, e esse pra mim sempre foi muito digno e válido, mas hoje me parece bem idiota, é que meus textos quase sempre falaram sobre amor (ou desamor, como diria a Yasmin) e eu cansei, cansei de ficar pegando um filete de sofrimento e transformando em pequenas cartas suicidas, cansei de culpar pessoas, e principalmente, cansei de me culpar. Há tanta coisa melhor pra fazer , eu descobri que há. Então aconteceu uma coisa estranha, quando eu fiquei longe desse drama todo, desse chororô todo, ele também passou a querer distância de mim, e daí me descobri feliz de novo. É fantástico o que descobri com isso, fantástico e óbvio : medo tem medo de coragem. Enquanto eu tinha medo do medo ele se fortalecia, quando eu fui indiferente ele deixou de existir. Outra coisa legal que aprendi nesse tempo... é que (quase todos) sentimentos só existem se nós permitimos, o que é fantástico. Ontem eu li uma frase que falava disso... Nós, os humanos, temos essa horrível e maravilhosa capacidade de sofrer pelo que não existe, do Rubem Alves , acho que foi isso que eu fiz , me apeguei tanto a uma dor que nem existia que um dia acabei por perceber que estava agarrada ao nada, e percebi ainda mais ... que fazia isso por puro tédio, por puro medo (again) de não sentir mais nada. Eu não imaginei que esse texto ia por esse caminho mas , whatever, eu vim aqui pra dizer que mudei - completamente - a temática desse blog , ainda escrevo (muito raramente) textos de amor e (e muito mais raramente) de desamor, mas eles não me interessam muito, e se aparecerem por aqui serão minoria. Basicamente isso aqui vai ser pra eu registrar uns pensamentos grandes que andam me ocorrendo, no ritmo que eu ando mudando seria bom um registro de algumas das coisas que passam pela minha mente e vida. Não sei se alguém vai ler e, sinceramente, não me importa tanto assim, é mais uma forma de falar o que não cabe no silêncio, e que me sufocaria se eu não falasse, tenho medo de sufocar no que não foi dito. Enfim , já tô ficando literária demais again, melhor encerrar por aqui. A esse respeito... eu não vou medir muito minhas palavras então, se incomodar a alguém faça-se o favor de parar de ler e viver sua vida.

Enfim, ciao.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

faxina

Hoje andei revendo meus conceitos , dando uma atenção mínima a essa bagunça que tá dentro de mim, a essa soma de sentimentos confusos e contraditórios que acabam por se anular, sem de nada me servir . Olhei cada pequeno amor , e vi que nem coladoumnooutro iam me fazer alguma diferença , e já que não me acrescenta eu descarto né ? É, é melhor, é como aquele livro que eu sei que nunca vou ler, simplesmente porque não me conquista pela capa e prefácio, é como aquele cantor que não importa as indicações, eu não vou baixar, não é o momento. Olhei um outro tipo de amor, o próprio, o que me ajuda no momento em que o espelho me critica , o que me levanta quando eu deixo um dos amores pequenos ficar maior que eu, me engolir e me maltratar, que amor feliz é esse! Que amor raro de se ter ! Por isso eu arrumei um espaço grande pra esse que ignorei por tanto tempo. No meio de todos aqueles textos e sentimentos amotoados eu não consegui deixar de ver uma espécie de bicho-papão encolhido no canto da sala , não precisei pensar pra reconhecer , era o medo . Olhei pra ele com atenção, ele olhou pra mim, me implorando pra ficar, me disse que sempre me serviu, sempre me ajudou, chegou até a dizer que me trouxe até aqui. O olhar dele dava pena, revirei umas fotos de um álbum que tava na minha mão e olhei praqueles sorrisos, praquelas festas e abraços e beijos e noites inesquecíveis, olhei pra ele de novo , olhei de volta pras fotos, ele não estava lá , e fazia todo sentido , por que ele estaria ? Se esse tempo todos se me barrou, só me impediu de arriscar, de viver, de ser feliz . Me aproximei como se fosse lhe abraçar, e disso serviu o mínimo estoque de falsidade que eu tinha, o segurei pela nuca e o joguei pela janela , do último andar de mim, e que a queda seja dolorosa. É , por ora me sinto mais organizada sim, vejo a felicidade flutuando por aí e tenho certeza que fiz um bom trabalho . Depois eu volto pra matar a saudade, ela que se prepare.

clara delfino

domingo, 24 de outubro de 2010

À Pátria Amada

Salve, salve. Como está? Melhorou?As notícias que recebo de seus filhos não são boas, mas sei que você é forte e há de vencer mais essa. Tantas crises e traições seguidas devem estar abalando você, mas saiba que é amada, idolatrada e jamais será abandonada.Pátria minha, posso ser sincera com você?Você é rica, gentil e generosa, mas dá muita bandeira, por isso abusam da sua boa vontade. Aproveitadores prometem servi-la e roubam de seus cofres. Covardes juram protegê-la e atiram em sua gente pelas costas. Falam besteiras em seu nome, debocham de seus defeitos, sonegam o que lhe devem.Por outro lado, você nunca esteve tão livre. Tão respeitada pelas colegas. Sua beleza e sua simpatia sempre foram reconhecidas, mas agora elogiam também sua inteligência e seu bom gosto. Copiam o que você veste, querem saber a fonte da sua energia, até depilam-se à sua maneira.Portanto, querida, talvez seu problema seja mesmo de auto-estima. Você é virginiana, de 7 de setembro, certo? Então está sempre desconfiada e insegura. Não consegue tomar decisões e, muitas vezes, foge às responsabilidades.Assuma, Pátria, que você é legal, mas vacila. Aprenda a punir quem abusa de seus favores e a tratar bem quem procura seus serviços. Afaste-se dos puxa-sacos e abrace seus desvalidos. Seus verdadeiros amigos não estão nos banquetes em sua honra, mas nos bobocas que calçam chuteira com você. A hipocrisia, maldita praga que seu ardor atrai, é a raiz dos seus problemas.Mas, calma, tudo tem jeito, você já resistiu bravamente a dias piores. Quando nem se sabia quanto roubavam de você. Quando sujavam seu nome em porões de tortura. Quando seu dinheiro valia tão pouco que era motivo de piada.E hoje, Pátria, você não carece de grandes atos de heroísmo, mas de pequenos gestos de respeito. Não precisa de novos salvadores, mas dos velhos sobreviventes. Inspire-nos a ver que não somos coitadinhos, somos até sortudos. Vemos tornados, terremotos e bombas terroristas pela televisão. Moramos de frente para a praia, com o mais verde quintal do mundo. Se temos a corrupção como mal encruado, que seja essa a nossa luta. A grande batalha que venceremos em seu nome.Freud disse: "Primeiro, olhe bem as profundezas da sua alma e aprenda a saber quem você é; depois, entenda o que há de errado com você". Cazuza fez uma música dizendo a mesma coisa, lembra?Por mim, você abandonava de vez esse positivismo cafona, que um dia lhe impuseram como lema. Não é pela ordem que seus filhos se destacam pelo mundo, é pela bagunça e festa. O progresso? Vem naturalmente quando se vive em paz, num ambiente fértil. Se é necessário um mote para completar a lacuna, que o escolham de onde sua alma se manifesta: nos pára-choques de caminhão.Já imaginou? Você de verde e amarelo e, na faixa, em sua testa estrelada, escrito assim: "Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho". Ou simplesmente: "Existo porque insisto". É atrás da pompa dos palanques que se escondem seus inimigos.

Com amor, Fernanda Young

terça-feira, 5 de outubro de 2010

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Você me treinou tão bem . Todos aqueles jantares à luz de velas sozinha , todas aquelas viagens com apenas o fone de ouvido de companhia , todos aqueles planos adiados para talvez , para nunca , todos aqueles sonhos que você não me deixou sonhar . Todas as cartas que te escrevi fazendo o percurso curto e doloroso do meu caderno até a lata do lixo , isso é besteira , você ia dizer .

Tava bem claro , todas aquelas tuas conversas indiferentes , finais , premonitórias . Estava escrito que seria assim , você escreveu . E não serviu , toda sua frieza , indiferença e egoísmo não me afastaram , todo o treinamento se mostrou inútil .

Sinto sua falta como se você fosse presente antes de partir , como se as cartas tivessem sido entregues , as canções ouvidas , as palavras ditas . Teu treinamento não só não serviu como teve efeito contrário , tua ausência é tão concreta que já não é , você tá mais presente do que jamais foi , tua falta não me abandona mais .

Clara Delfino

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

só


Eu só quero alguém que pense em mim antes de dormir , e antes de acordar , e antes de sorrir e antes de querer . Cansei de meios-amores , de relacionamentos não classificáveis , de amizades com desejo , e amores com companheirismo , cansei de perguntas , quero respostas , e não me venha com a verdade é relativa ou outro qualquer pensamento hipócrita , quero coisas concretas e quero agora . Eu só quero alguém que olhe nos meus olhos e não precise dizer mais nada , mas mesmo assim diga , alguém que me tire desse caos , alguém que me faça sentir especial , quero alguém que me tire o fôlego , e que não precise se esforçar pra isso , alguém que me estremeça a alma , alguém que entenda minha urgência de vida , alguém que me dê um ombro pra chorar , uma boca pra beijar e um motivo pra existir .
Clara Delfino

domingo, 3 de outubro de 2010

Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.