terça-feira, 5 de outubro de 2010

-


Você me treinou tão bem . Todos aqueles jantares à luz de velas sozinha , todas aquelas viagens com apenas o fone de ouvido de companhia , todos aqueles planos adiados para talvez , para nunca , todos aqueles sonhos que você não me deixou sonhar . Todas as cartas que te escrevi fazendo o percurso curto e doloroso do meu caderno até a lata do lixo , isso é besteira , você ia dizer .

Tava bem claro , todas aquelas tuas conversas indiferentes , finais , premonitórias . Estava escrito que seria assim , você escreveu . E não serviu , toda sua frieza , indiferença e egoísmo não me afastaram , todo o treinamento se mostrou inútil .

Sinto sua falta como se você fosse presente antes de partir , como se as cartas tivessem sido entregues , as canções ouvidas , as palavras ditas . Teu treinamento não só não serviu como teve efeito contrário , tua ausência é tão concreta que já não é , você tá mais presente do que jamais foi , tua falta não me abandona mais .

Clara Delfino

2 comentários:

Micheline disse...

adoreimil

Anônimo disse...

Há.

Eu me identifico com esse texto, mas não com o eu-lírico.

Acho que é a primeira vez que me identifico tão bem num texto onde não sou o sofredor, e sim o sofrimento.

Bom, eu diria que eu te disse se ao dizer isso eu já não estivesse dizendo eu te disse.

Muito bem escrito o texto, fico maravilhado de ver como vc cresce na estética dos seus textos!

Um pouco menos de vírgulas e ele seria perfeito!

E fico mto feliz que tenha voltado a escrever ^^

Abraços!

Au revoir o/

Postar um comentário