Sou minha demais pra ser de alguém.Geralmente há um período em que eu finjo que não sei, que só é pré de uma coisa que não vai ser, um pré-fim. E ai tudo fica lindo, as palavras mais bonitas são ditas, os sentimentos mais bonitos são vividos. Viver sentimentos não concretizados, não-reais, sou uma multiplicação de quases, sou a própria caixa-de-pandora . Como eu já disse, há o pré-coisa-que-não-vai-ser, há o embaçado que não me deixa enxergar o que vem depois do pré, e de repente... nada. Chamo essa parte de luz negra, aquele tipo de visão que você não quer ver, a iluminação que traz escuridão. E daí sofro, escrevo, choro, ou não, nem choro mais , meus olhos se recusam a obedecer a tonta que os embaçou, que os condenou a miopia de ver um futuro onde não havia nada. Depois supero, hipoteticamente, e ganho aquela postura de Mulher-Interessante-que-já-sofreu-por-Amor e de bônus aquele discurso de não-caio-mais-nas-armadilhas-do-Amor. Ai vem um outro alguém e eu me pergunto será-que-agora-vai? E de novo me iludo e de novo esqueço que não-vai-dar-em-nada, e de novo amo.Clara Delfino
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