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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Só um recado
às
10:31
A uns dias atrás tava pensando no que traz mais felicidade, ou no que - por falta de um outro adjetivo melhor - é mais digno. Ter uma vida normal, seguindo as exigências da sociedade, como o Caiozinho (Caio F.) disse "ser hetero e casar aos 20", ou ter uma vida cheia de liberdade, viagens, loucas paixões, ausência de pudores e limites, e uma boa dose de melancolia e tristeza pelo mundo. Enfim, viver o mundo, entrar na roda, seguir os demais, ou pensar sobre isso e tomar suas próprias decisões, ignorando as críticas que vem de brinde. A minha opção sempre foi a segunda, sempre achei que um casamento - por exemplo - ia me tirar as inúmeras possibilidades que eu tenho, ia podar minha liberdade que ainda nem consegui por inteiro. Só que eu comecei a refletir sobre o fim... como tudo inevitavelmente acaba, qual seria o fim 'menos ruim', o do Caiozinho com um imenso conhecimento adquirido - que boa parte se perdeu - uma visão de mundo ímpar, uma DST e uma morte na casa dos pais, sem um alguém pra dizer ' depois vou pra lá, o mundo vai ficar um saco sem você' ou uma pessoa normal, que faz o que a sociedade manda e envelhece ao lado de alguém que ama e talvez o ame de volta. O bom seria poder fazer os dois, mas será que dá ? Amor e liberdade são excludentes?
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
algo me diz ;
às
20:11

Eu preciso muito, muito de você. Eu quero muito, muito você aqui de vez em quando nem que seja, muito de vez em quando. Você nem precisa trazer maçãs, nem perguntar se estou melhor. Você não precisa trazer nada, só você mesmo. Você nem precisa dizer alguma coisa no telefone. Basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio. Juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro. Mas eu preciso muito, muito de você.
A impressão que tenho é que nunca vai passar. Que a cicatriz não fecha. Que só de esbarrar, sangra.
Caiozinho s2
Caiozinho s2
algo me diz que fecha , que a cicatriz fecha sim , algo me diz que eu não estou e não estarei condenada a passar a vida toda com medo do esbarrão , com medo de alguém tocar mais fundo , algo me diz que as tempestades passam , podem virar dilúvios ou eras do gelo , mas passam , um dia passam .
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
nossa esperança
às
10:50
HAMBURGO, 11 DE OUTUBRO DE 1994Sei que é uma ousadia dirigir-me ao senhor assim, desta maneira meio estabanada. Aprendi na escola, há tantos anos que já esqueci, que deveria dirigir-me ao senhor como "Vossa Excelência" ou algo assim. Mas hoje, ao despertar muito cedo neste Hotel Schwanenwik, que parece saído de um filme dos anos 40, espiando pela janela as árvores começando a ficar douradas no parque em frente ao lago, me surpreendi pensando com força e fé no senhor e no Brasil.
Nos últimos dias, li nos jornais europeus que o senhor foi eleito sem necessidade de um segundo turno. Não votei no senhor. Aliás, não votei em ninguém. Estava em trânsito, em Porto Alegre, e embarquei para Frankfurt um dia após as eleições, quando a sua vitória já era dada como certa. E embora talvez o senhor não fosse meu candidato, fico feliz. Devo dizer que o senhor me parece muitíssimo mais, digamos, preparado, que todos os outros seus antecessores. Amigos europeus e desconhecidos que fazem perguntas nas leituras e debates que ando fazendo por aqui com outros escritores também parecem pensar o mesmo. Por favor, não nos decepcione.
É grande a nossa esperança, senhor presidente. E falo não como escritor ou jornalista, mas como brasileiro comum. Tão comum que nada tenho e, nos últimos anos, não fosse direitos autorais vindos do estrangeiro e a lealdade de muitos amigos, estria desempregado e passando dificuldades. Porque ando pelas ruas, porque entro nos bares e vejo as caras sofridas das pessoas pelas esquinas, posso dizer ao senhor com segurança: estamos cansados, senhor presidente. E é no senhor que confiamos, acima de tudo, para dar jeito nesse grande cansaço que já vem de anos.
Vem do golpe militar que cortou os sonhos de uma geração inteira; vem daquela morte misteriosa de Tancredo Neves; vem do desastre de José Sarney e principalmente da vergonhosa catástrofe que foi Fernando Collor.
Vem de muito antes disso, talvez desde que os colonizadores mataram nossos índios, dizimaram nossas matas, levaram nosso ouro. Há quase 500 anos, sempre fomos escravos, roubados, humilhados. Nos últimos tempos esse cansaço nosso aumentou, com a impunidade dos corruptos e o empreguismo fácil que se tornou a política. Os senhores ganham muito bem, senhor presidente, e a maioria de nós morre de fome.
O que quero pedir, quando penso no senhor, olhando pela janela aberta desta cidade estrangeira, não tem nada de extraordinário. Nós queremos comida, senhor presidente. Queremos trabalho, escolas. Queremos saúde e um mínimo de segurança para andarmos nas ruas sem o risco de sermos atingidos por alguma bala perdida. Queremos um mínimo de honestidade, e esperamos que o senhor reforce a nossa auto-estima como brasileiros, não através de um nacionalismo irracional e perigoso, mas apenas por termos satisfeitas as nossas necessidades humanas básicas.
Por favor, não gaste à toa o dinheiro dos nossos impostos. Por favor, preste atenção na infinidade de mendigos que apodrecem pelas ruas de nossas cidades. Não queremos ser o Haiti nem Ruanda, mas apenas um país decente. E temos medo enorme que logo após a sua posse, esse Plano Real que tanto ajudou a elegê-lo, desabe sobre nossas cabeças com uma inflação de 100% ao mês. Estamos tão cansados de mentiras, promessas, aparências, fraudes, ilusões. Nós queremos gostar do senhor, senhor presidente, queremos tanto confiar no senhor. Nós entregamos os nossos destinos nas suas mãos, com boa fé e boa vontade.
E é por tudo isso e muito mais que, daqui de muito longe, quase na Escandinávia, tenho a ousadia de concluir pedindo: pense bem, senhor presidente, no que vai fazer com as nossas vidas. Pode ser bom, isso a ser feito, pode ser nobre e grandioso. Depende um pouco de nós, que temos sido tão pacientes, mas depende principalmente do senhor. Seja justo, honesto, amoroso. Boa sorte.
O Estado de S. Paulo, 16/10/1994
Caiozinho s2
vocês não acham uma pena que isso não tenha se concretizado ? vocês não acham que deviam pensar bem pra que uma frustração tão bela e triste como essa não se repita ? você já pensou sobre domingo ?
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