sábado, 18 de setembro de 2010

mais nada ;

Trata-se de uma decepção diferente: não penso obsessivamente, não tenho vontade nenhuma de ligar nem de escrever cartas, não tenho ódio nem vontade de chorar. Em compensação também não tenho vontade de mais nada.

#seidequeménão

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Uma rosa


Um grito , e tudo mudou . Um único grito , e seu mundo fantasiado de vida-politicamente-correta-e-feliz ruiu . Ali naquela tarde ensolarada de março , naquele calor escaldante , naquele trânsito infernal , ela sentiu todo o seu corpo estremecer ao ver o que seus olhos viam . Um carro a direita do seu , que , tinha uma chance absurda de ser o seu bateu em uma menininha , que se apressava com a mãe pra ir a escola , o carro tava com o direito , é verdade . Mas a menininha acenou , parecia ter um super poder , parecia acreditar que o homem do carro entenderia que ela realmente tava atrasada pra aula e que a mãe dela tava irritada , e triste demais ultimamente , e que ela não queria mais que ela chorasse de noite , que ela queria ser boa o suficiente pra fazer ela feliz , ela achava que aquela rosa que ela pegou no caminho da escola , e que não teve tempo de entregar a mãe ia fazer a diferença , ela não entendia que não era culpa dela , e que não podia mudar nada , ela não entendia que o homem do carro não podia entender isso , nem nada . Ela não entendia o quão cego alguém que vê pode ser . Então ela acenou , e o homem do carro , afundado nos seus próprios problemas adultos e grandiosos , sempre grandiosos , estava cego pra tudo que ele não achasse grandioso , estava cego pra qualquer aceno , qualquer beleza , qualquer magia .

E ela , a mulher do carro do lado , que poderia ter sido o seu , observava com choque a poça de sangue em que se afundava a menininha , observava o desespero da mãe dela , e depois , não , por não ter o que olhar , mas por se sentir atraída a olhar pra’li , observava o sol , o sol nos cacos de vidro , o sol dos cacos de vidro , e não tinha mais como desviar . Havia uma menina , e uma rosa , e uma esperança , e agora só há o vermelho , a imensidão que ele pode ter . Agora só há a intensidade de um grito , cacos de sol , e uma rosa que de rosa passou a pingar vermelho .

sem título

Eu cansei . Desde o primeiro olhar isso já tava claro , era uma questão de tempo , um tempo que já se foi . Se foi como as certezas que eu tinha , se foi como o bem que você me fazia , se foi como a tua ausência . Tua ausência , já nem lembro dela , é estranho ... eu sempre pensei que ela desapareceria quando você estivesse ao meu lado , mas foi muito antes , afinal , você nunca esteve e ela já se foi . Ela sumiu com o afeto que não foi dado , com as promessas que não foram cumpridas , com essa coisa toda que não foi , com um você e eu , que já não somos nós .

domingo, 12 de setembro de 2010

Distração, atração .


Ela estava sentada , em frente aquela quadra de basquete , sentindo a brisa que vinha de todos os lados e sentindo os olhares que também vinham de todos os lados , olhares aos quais ela não estava acostumada , mas que estavam cada vez mais presentes , acabava por se distrair com uma árvore , uma nuvem , uma brisa qualquer , só pra não ter que encarar um deles , se vigiava , não podia se distrair da sua distração , não podia esquecer de se esquecer no meio a aqueles quase alguma coisa . E então ele passou , e de repente a brisa mudou de rumo e ela não teve como se perder , e acabou por se prender , no olhar dele que encontrou o dela , e não havia distração que a distraísse daquele olhar , que se mostrou mais real , e mais intenso que todas aquelas não-coisas onde ela procurava se esconder . Ela desviou o olhar por um instante , e de novo se viu a olhar pra aquele corpo moreno que lhe olhava com uma intensidade que há muito não sentia , e de repente não conseguiu desviar , se viu presa naquele corpo cheio de formas e formatos , com traços definidos , com um olhar arrasador , um olhar que não lhe convidava a declarações de amor , ou a frases feitas , mas lhe despertava sentidos animais , e humanos . E de repente a brisa não bastou , todos os outros olhares não existiam , as nuvens , as melodias ,e todo o resto sumiu . Só havia ela , ele , e aquele olhar que lhe dizia mais do que tudo que já foi dito .

sábado, 11 de setembro de 2010

no domingo dói mais ainda ;

Vou fugir. Vou desistir. Não sei ficar nas mãos de alguém. Sou estranha mesmo, nunca escondi. Quando você achar que estou feliz, estarei me magoando aos poucos. A verdade é que eu não sei ser feliz. E sou orgulhosa e teimosa e impaciente demais para aprender. Eu só sei viver amores que não dão certo. Se você soubesse o que as palavras significam para mim. Pra mim é tudo muito grave. Sou uma desesperada. O que você diz brincando, ou que acha que eu nem prestei atenção, é justamente o que eu nunca vou esquecer. Minha sensibilidade e minha memória são meus piores castigos. Eu sempre vou querer mais. Meu amor é como uma raiz estrangulante. Minha carência não tem fim. Você sabe que eu odeio domingos, e eu odeio me sentir sozinha, principalmente quando o céu já está dessa cor. Dói, e dói muito. Você chega invadindo minha solidão, entrando na minha vida, fazendo eu acreditar que o amor é bom. Mas vai embora enquanto o que eu mais queria era que você ficasse. Você vai embora e me deixa com fome, com sede, incompleta, confusa, despedaçada. Com raiva por ser dependente. Não gosto de me sentir assim. Eu não sei amar, entende? Eu sei é ficar esperando um amor que nunca chega. Não sei o que fazer com um amor real que vem, bagunça meu ordenado caos conhecido, e vai embora. Tenho vergonha de dizer que preciso de ti. Me despedi com um sorriso casual, como se não estivesse me importando. Mas virei as costas já com raiva de mim mesma, porque sei que meu amor é doentio. E tenho de escondê-lo como se fosse um vício, um defeito grave, um distúrbio alimentar. Se eu não tivesse conseguido me conter, teria me ajoelhado na tua frente, agarrado tuas pernas e entre lágrimas e soluços, teria dito "fica, fica. Fica comigo, por favor não vai embora agora, que tenho medo de ficar sozinha, porque quando fico sozinha num entardecer nublado e frio de domingo tenho vontade de desistir de tudo. Fica agora, eu estou pedindo. Só vai embora quando esse aperto no meu peito passar." Mas eu não disse, e você foi embora achando que eu fiquei bem. Você disse que tem medo de me perder. E você vai me perder. Porque eu não vou deixar você me conhecer direito. Porque não quero te mostrar a imensa cratera que trago aqui dentro. Que nem você nem ninguém vão conseguir preencher. Não sei amar, mas te amo. Mas sinto como se teu amor não me bastasse. A tua falta me faz mal. E entre pouco e nada, fico com aquilo que não dói tanto. Mas espera! Volta. Adivinha meus pensamentos destrutivos e volta. Me impede de desisitir. Vem e me sufoca com o teu amor, e não me deixa morrer assim, aos poucos, tão sozinha, nessa noite de domingo.

domingo, 6 de junho de 2010

esboço

Sabe , eu posso viver sem você , posso até ficar bem sem você . Mas nunca é nada muito relevante , as cores são sempre naquele tom cinza , as flores estão sempre murchando , e o cheiro delas já não me encanta mais , comidas sempre com aquele gosto insosso de doença , bebidas sempre sinônimo de água . Os sonhos se vão , durmo só pra passar o tempo , e tenho um pensamento (bem típico de gente medíocre) de que sonhar acordado é perca de tempo ... vai ver é .

Viver sem você não é difícil , é só eu me concentrar em respirar . Mas me livrar do tédio sem você é praticamente impossível ... mesmas piadas , mesmos rostos , mesmas melodias , mesmos sentimentos . Nada invento , nada vivo . É como viver no piloto automático e ter medo de olhar pra trás e ver que se perdeu pelo caminho , ver que só restou o automático , vê que não há mais sentido .

Você sempre foi minha inspiração , seja pros mais lindos versos de amor , seja pros mais lindos versos de ódio . Sem você sou um pobre poeta com um livro cheio de poemas rasurados por lágrimas , com uma caneta na mão , e sem a mínima vontade de escrever . Olhando pra caneta como quem procura a tinta , olhando pro espelho como quem procura a vida . Sem você sou apenas um borrão do que fui e um esboço do que poderia ser . Sem você não sou muito mais que minha sombra .

dose de infinito

Ler um livro , escutar uma boa música , beber uma dose de uísque , daquele envelhecido , daquele com sabor . Olhar o pôr do sol podendo absorver cada detalhe da maravilha que ele é . Passear a tarde pela orla da praia , sentir o vento tocar o rosto . Sonhar . Viver . Tudo isso eu poderia fazer sem você , ser sozinha não é ruim quando ao menos se aceita a própria companhia , mas não vou mentir ... seria tão melhor se fosse com você . Porque aí cada pôr do sol , cada música , cada dose , cada livro , cada momento , ia ser mais especial , ia ter uma dose absurda do eterno , do infinito , porque momentos com você nunca seriam esquecidos .

Me convence que você é o cara pra mim , me convence do que eu já sei .