segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Newton e coisas rasas

Nós humanos, temos a incrível capacidade de fantasiar. Sejam fantasias boas ou ruins, nós temos essa capacidade. Me lembro da única frase que me fez gerar algum tipo de sentimento útil que eu ouvi de um certo professor patético. Dizia basicamente que o homem, digo, a raça humana - Homo sapiens sapiens - conseguiu se diferenciar e predominar sobre as outras que existiam (Austrolopitecus, Neandertais etc etc ) por possuir uma capacidade que as outras não tinham: criatividade. Criatividade. Eu ainda acho que é o que move o mundo, e não o dinheiro, o petróleo, as guerras.
Eu acho criatividade essencial, mesmo, acho que ninguém lhe dá atenção merecida. Sem ela nós simplesmente morreríamos de tédio, sem ela o sentimento de que tudo que tinha que ser inventado já foi, as grandes músicas já foram escritas, os grandes músicos estão fadados a entrar em extinção, enfim, esse sentimento seria generalizado. E seria de uma desesperança absoluta.
Criatividade nos dá de brinde esperança , um escritor nunca escreve um livro por acaso, só pra deixar atirado embaixo da cama, sem mudar a vida de ninguém, inclusive a sua. Os músicos (ainda restam uns poucos bons) raramente vão querer guardar sua música só pra si, e inconscientemente vai se tornar trilha sonora do amor de alguém, da dor de alguém. Eu quando invento um passeio, uma tradição, um jogo, tô mudando a minha vida, mesmo que seja de um jeito insignificante, ou mesmo que seja pra pior, e de quebra, ainda altero a de alguém.
A criatividade nos livra da inércia, e como diria Newton na única frase de física que eu aplico na vida " Toda ação corresponde a uma reação", a criatividade, a força de vontade, a esperança ou até mesmo as obrigações diárias (universidade, trabalhar , etc etc) nos impede de ficar parado na frente de uma tv ou computador não fazendo nada muito útil, nada que nos dê lembranças fantásticas.
Ando acreditando nisso, ando valorizando cada tentativa, por mais inábil que seja. Me permito a tudo, menos à coisas rasas, pequenas, medíocres. Não brigo mais com a vida, sou cúmplice dela.

Clara Delfino

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