(23-04-2011)
sábado, 23 de abril de 2011
Tutto passa
às
18:31
Meu bem, meu bem, meu bem. Não dificulte tanto assim, não seja tão cruel ao olhar pro espelho, não dê tanta atenção a essa lágrima. Os monstros, eu sei, você continua falando desses monstros, eles não existem menina, não existem. Vem cá, deita no meu colo, é que dói muito, eu sei, dói muito. Mas passa menina, você acredita em mim não acredita? Tudo passa, você que tem olhos inocentes demais pra ver isso, mas nessa vida não há nada que permaneça, só coisas que partem. Não chore tanto assim, não se importe tanto assim, é porque as coisas passam que outras coisas podem vir. Eu mesmo, você lembra menina? Surgi na tua vida quando um alguém tinha partido, tá bom, tá bom, não falo dele. Não, não quero te machucar mais, não quero te machucar nunca. Então, o que eu tava dizendo? Ah, passa, sim, tudo nessa vida passa, tutto passa. Em outra vida não sei pequena, não sei, só guardo memórias dessa e já me tomam tempo demais. Pode chorar, pode secar tuas lágrimas nos meus ombros, não, não se importe, não me importo que me alugue com tuas dores, um dia você vai sentir até falta delas, vai dizer qualquer bobagem como não-me-sinto-mais-viva-preciso-sentir-alguma-coisa-nem-que-seja-dor. E eu vou rir com tua inocência dolorida de novo. Sim, eu sei, isso não é assunto pra agora. Vai ficar tudo bem, tutto bene, tudo bem, tudo bem, tudo bem... te digo quantas vezes precisar pra você me ouvir pequena. Durma, pode dormir, não se importe com o resto, eu fico, te cuido, te guardo.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Um devaneio qualquer
às
21:27

Me abrace, só me abrace. Não se importe com o antes-pra-sempre-depois-talvez. Me dê a mão, me leve para um lugar qualquer bonito que cintile de esperança, luz e cor. Toca no meu rosto, pescoço, corpo quadril, me sentencia um arrepio. Quero pensar que amor não é só um artifício pra disfarçar nossa incompletude, nossa incapacidade de ser feliz sozinho, nossos vazios. Quero pensar isso junto a você. Queria tanto que nossos pensamentos - antagônicos, diferentes, opostos - imitassem nossos corpos e se completassem, se encaixassem tão perfeita e loucamente que ficasse impossível notar onde começa um ou onde termina o outro, por se tratar do mesmo ponto inexorável eterno no momento exato em que acontece.
22/04/2011
Se ainda tem alguém lendo isso aqui, feliz chocolate pra você :*
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Coragem
às
15:27
Tava cá pensando com meus botões (que não existem, tô de vestido)... como ter um amor homossexual é sinal de coragem. Vê só comigo, além de enfrentar todas as coisas bem simples e fáceis de lidar que amar já implica, como sentir necessidade de uma outra pessoa que pode ou não sentir de você, ou ciúmes, ou saudades, ou todas essas coisas m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a-s de sentir, e vocês sabem a que eu me refiro, o corajoso que topa um desafio desses ainda tem que enfrentar os olhares preconceituosos e patéticos da sociedade, e conviver com a idéia imposta por essa sociedade (considerando o mundo cristão) de que ele já tem seu lugar definido no inferno. E pensando assim, vendo essa coragem toda em ser o que se é, em ter verdade consigo mesmo e com o resto do mundo, o preconceito me parece ainda mais irracional.
Clara Delfino
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Colocaram
às
21:10
Colocaram na tua cabeça que o oriental é retrógrado e violento, que o negro é ladrão, que o branco é preconceituoso, que a mulher é incapaz, que o nordestino é burro, que o feio não merece amor. Colocaram na tua cabeça que a paz não é algo que se constrói, e sim algo que surge do nada. Colocaram na tua cabeça que todo amor é eterno e que mesmo quando ele te joga na cara que não é assim, você tem que insistir em sofrer porque acabou. Colocaram na tua cabeça que todo fim dói (na minha também). Colocaram na tua cabeça que você deve amar ao próximo como a si mesmo, e você esquece o tempo todo que tem que ter essa parte de amor dispensada pra si, só ama o outro. Colocaram na tua cabeça que sexo é errado, mas guerra tem seus motivos (que valem mais do que vidas). Colocaram o inferno das culpas na tua cabeça. Colocaram uma porção de verdades absolutas na tua cabeça. Colocaram, inclusive, a idéia de que o mendigo só precisa de dinheiro, e que dispensar 5 minutos do teu tempo falando com ele colocaria em risco tua vida, como se viver já não resultasse em poder morrer. Colocaram na tua cabeça que ter um amor implica em não ter liberdade. Colocaram na tua cabeça que idéias prontas são melhores do que pensar e contestar as coisas, colocaram isso com um objetivo. Colocaram porque você deixou que colocassem.
Clara Delfino
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Câmera lenta
às
20:32
Ele olha pra ela. Ela olha pra ele. Câmera lenta, ninguém respira, um silêncio que se diferencia de outros silêncios, porque esse diz, e diz muito do que vai acontecer. Ela sorri, e lembra ocasionalmente de arrumar espaço pra respirar. Ele se aproxima - será que posso? Ela responde que sim, com o olhar. Ele dá mais um passo, solta as malas, sem pensar. Pra quê servem os pensamentos num momento desse? Até os céticos teriam que concordar. Mas voltemos à cena. Ele a abraça e ergue do chão, começando a girar. Ela segura forte no pescoço dele, cruza suas mãos num nó que não quer desatar, que não devia nunca desatar. Olha nos olhos dele, vê o brilho deles e pede aos búzios, às cartas, às estrelas cadentes, aos orixás, que não se apague, nunca se apague o brilho do olhar dele, e que a verdade do sorriso dela não fique fosca, surda, muda. Que aquele momento seja eterno, que volte em todos os olhares de cada dia de cada briga de cada despedida de cada reencontro de cada noite, amém. Ele não consegue falar, não consegue juntar as palavras, obedecer a sintaxe, lembrar da gramática, como que se faz mesmo ? Junta o pronome pessoal, primeira pessoal do singular, o verbo amar na primeira pessoa, no presente, e o pronome, aquele, de tratamento, de tratar, tratar o outro, tratar bem o outro. Isso. E-u-a-m-o-v-o-c-ê, ele soletra no pensamento, e de alguma forma, a mesma frase ecoa na mente dela, como se já tivesse sido dita, quem sabe foi. Quer voar? Ele consegue sussurrar. Quero, depois que eu soltar o céu.
Clara Delfino
Ah, eu senti falta de ser doce... Peguei esse texto que tava quase pronto e mudei um pouco, ficou isso aí (:
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Vejo gente idiota
às
10:56
Desculpa a demora absurda pra postar, os céticos diriam o óbvio, como esse é um blog de 'pensamentos' , vai ver eu não tenho pensado muito. Nunca se sabe... A verdade - fodam-se os céticos - é que eu tenho, mas são pensamentos muito... revoltados, muito violentos. Poxa, tem um país tentando se libertar de uma ditadura de uns 30 anos, e o meu país - que já viveu uma dessas - só consegue falar do BBB. Poxa, amores eternos aparecem mais rápido do que contas, e eu não aguento mais ver os motivos ridículos que só falam de beleza e de dinheiro (pra não falar na carência e no medo da solidão), como se o primeiro não fosse construção e o segundo não fosse passageiro. Vejo gente que desiste do amor e começa a 'pegar geral', dói menos, só deve doer na hora que vê um espelho, como sustentar o olhar ? Vejo comentários imbecis sobre um cara fantástico que sofreu um acidente e tá com risco de vida (Shaollin, só pra constar). Vejo gente mal-educada de graça, vejo gente ridícula. Vejo fanatismo. Vejo argumentos fracos. Vejo gente idiota, com frequência. Claro que eu conheço umas exceções lindas, na verdade conheço tantas que me acho muito, muito sortuda. Mas o resto ainda existe, e ainda me irrita. E não sei, acho meus textos revoltados tão... imaturos, talvez me falte conhecimento teórico pra criticar isso tudo, talvez me falte tempo pra amadurecer as idéias, talvez nem falte nada, só vontade.
Além do mais, tem os outros blogs e afins que eu escrevo de vez em nunca.
http://naocoubenosilencio.wordpress.com/
http://oqueoventonaoleva.blogspot.com/
Além do mais, tem os outros blogs e afins que eu escrevo de vez em nunca.
http://naocoubenosilencio.wordpress.com/
http://oqueoventonaoleva.blogspot.com/
Só um recado
às
10:31
A uns dias atrás tava pensando no que traz mais felicidade, ou no que - por falta de um outro adjetivo melhor - é mais digno. Ter uma vida normal, seguindo as exigências da sociedade, como o Caiozinho (Caio F.) disse "ser hetero e casar aos 20", ou ter uma vida cheia de liberdade, viagens, loucas paixões, ausência de pudores e limites, e uma boa dose de melancolia e tristeza pelo mundo. Enfim, viver o mundo, entrar na roda, seguir os demais, ou pensar sobre isso e tomar suas próprias decisões, ignorando as críticas que vem de brinde. A minha opção sempre foi a segunda, sempre achei que um casamento - por exemplo - ia me tirar as inúmeras possibilidades que eu tenho, ia podar minha liberdade que ainda nem consegui por inteiro. Só que eu comecei a refletir sobre o fim... como tudo inevitavelmente acaba, qual seria o fim 'menos ruim', o do Caiozinho com um imenso conhecimento adquirido - que boa parte se perdeu - uma visão de mundo ímpar, uma DST e uma morte na casa dos pais, sem um alguém pra dizer ' depois vou pra lá, o mundo vai ficar um saco sem você' ou uma pessoa normal, que faz o que a sociedade manda e envelhece ao lado de alguém que ama e talvez o ame de volta. O bom seria poder fazer os dois, mas será que dá ? Amor e liberdade são excludentes?
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