quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Só um recado

A uns dias atrás tava pensando no que traz mais felicidade, ou no que - por falta de um outro adjetivo melhor - é mais digno. Ter uma vida normal, seguindo as exigências da sociedade, como o Caiozinho (Caio F.) disse "ser hetero e casar aos 20", ou ter uma vida cheia de liberdade, viagens, loucas paixões, ausência de pudores e limites, e uma boa dose de melancolia e tristeza pelo mundo. Enfim, viver o mundo, entrar na roda, seguir os demais, ou pensar sobre isso e tomar suas próprias decisões, ignorando as críticas que vem de brinde. A minha opção sempre foi a segunda, sempre achei que um casamento - por exemplo - ia me tirar as inúmeras possibilidades que eu tenho, ia podar minha liberdade que ainda nem consegui por inteiro. Só que eu comecei a refletir sobre o fim... como tudo inevitavelmente acaba, qual seria o fim 'menos ruim', o do Caiozinho com um imenso conhecimento adquirido - que boa parte se perdeu - uma visão de mundo ímpar, uma DST e uma morte na casa dos pais, sem um alguém pra dizer ' depois vou pra lá, o mundo vai ficar um saco sem você' ou uma pessoa normal, que faz o que a sociedade manda e envelhece ao lado de alguém que ama e talvez o ame de volta. O bom seria poder fazer os dois, mas será que dá ? Amor e liberdade são excludentes?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Newton e coisas rasas

Nós humanos, temos a incrível capacidade de fantasiar. Sejam fantasias boas ou ruins, nós temos essa capacidade. Me lembro da única frase que me fez gerar algum tipo de sentimento útil que eu ouvi de um certo professor patético. Dizia basicamente que o homem, digo, a raça humana - Homo sapiens sapiens - conseguiu se diferenciar e predominar sobre as outras que existiam (Austrolopitecus, Neandertais etc etc ) por possuir uma capacidade que as outras não tinham: criatividade. Criatividade. Eu ainda acho que é o que move o mundo, e não o dinheiro, o petróleo, as guerras.
Eu acho criatividade essencial, mesmo, acho que ninguém lhe dá atenção merecida. Sem ela nós simplesmente morreríamos de tédio, sem ela o sentimento de que tudo que tinha que ser inventado já foi, as grandes músicas já foram escritas, os grandes músicos estão fadados a entrar em extinção, enfim, esse sentimento seria generalizado. E seria de uma desesperança absoluta.
Criatividade nos dá de brinde esperança , um escritor nunca escreve um livro por acaso, só pra deixar atirado embaixo da cama, sem mudar a vida de ninguém, inclusive a sua. Os músicos (ainda restam uns poucos bons) raramente vão querer guardar sua música só pra si, e inconscientemente vai se tornar trilha sonora do amor de alguém, da dor de alguém. Eu quando invento um passeio, uma tradição, um jogo, tô mudando a minha vida, mesmo que seja de um jeito insignificante, ou mesmo que seja pra pior, e de quebra, ainda altero a de alguém.
A criatividade nos livra da inércia, e como diria Newton na única frase de física que eu aplico na vida " Toda ação corresponde a uma reação", a criatividade, a força de vontade, a esperança ou até mesmo as obrigações diárias (universidade, trabalhar , etc etc) nos impede de ficar parado na frente de uma tv ou computador não fazendo nada muito útil, nada que nos dê lembranças fantásticas.
Ando acreditando nisso, ando valorizando cada tentativa, por mais inábil que seja. Me permito a tudo, menos à coisas rasas, pequenas, medíocres. Não brigo mais com a vida, sou cúmplice dela.

Clara Delfino

Hipocrisia não

Vem cá , fala pra mim que você é interesseiro, movido a sexo, e vendido aos hábitos da nossa sociedade, fala pra mim que você é mais um na multidão, que gosta de fazer parte dela, mas gosta ainda mais de se destacar nela, como o melhor, o mais bonito, o mais rico. Fala pra mim que todas as mulheres sucumbem a teu charme irresístivel. Fala, fala de uma vez! Só não fale pra mim que você é romântico e diferente e especial e qualquer outro adjetivo imbecil que não te descreve em nada, que enganaria a qualquer uma, mas não a mim. Seja ruim, seja podre, mas admita isso, eu suportaria tua falsa modéstia, teu narcisismo, tua falta de QI, mas hipocrisia não, pode dar meia-volta e refazer esse discurso.

Clara Delfino

domingo, 2 de janeiro de 2011

"Que seja doce"

Eu vejo o ano novo como um caderno novo, vai soar clichê, eu sei, mas o sentimento que eu tenho é esse, que às 00:01 de 01/01 me entregam um caderno em branco e uma caneta, e eu sei que por mais que eu não queira (e eu definitivamente quero) algo vai ser escrito ali, bom ou ruim, vai ser escrito. Não há muitas opções nesse caso, os dias correm (ultimamente numa velocidade assustadora e fantástica) e eu realmente não tô afim de contestar isso, de brigar com o relógio, de devolver o caderno em branco. Me tira o fôlego pensar em quantos livros fantásticos eu vou ler, em quantos abraços sinceros vou ganhar, em quanto vou amadurecer, em quantas pessoas vou conhecer, em quantos beijos intermináveis vou dar. Tenho sede de eternidades, as sentidas, não as prometidas ou planejadas. E o mais lindo disso, o que mais me assombra de encantamento é que não há medo, não há sequer aflição ou urgência, só há vida e basta, como basta!

Apesar de toda essa falação que não diz muito além de : 2011 ? Pode vim quente que eu estou fervendo. (IDSOIDOSIDOSIDOSIDOSIDS ignorem) Essa foi a primeira vez que eu vivi o Natal e a Virada de ano e não me senti nem no Natal nem na Virada de ano, eu simplesmente vejo o ano novo como uma continuação do velho e really, o ano velho foi fantástico. E eu entendo quem questiona isso, quem se recusa a ceder à mídia e às convenções sociais, e posso até dizer que no alto de sua racionalidade e dos seus ótimos argumentos eles estão certos, mas... porque eu não posso desejar coisas felizes às pessoas ? Em todos os dias do ano, é claro, mas num dia com luzes piscando e esperanças surgindo fica ainda mais bonito.

Clara Delfino

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Corda bamba


Seja sensual, não demais ... seria vulgar , não de menos ... não quer ser uma puritana sem graça. Seja original, diferente, mas não bizarra. Seja feliz, mesmo que doa (ninguém se importa muito com nada além de si mesmo), e lembre-se sempre: não seja muito, não seja pouco. Seja inteligente, nada muito acentuado, nada de ser a nerd sabichona, mas inteligente sim, o suficiente pra não fazer ninguém passar vergonha, as pessoas não gostam de andar acompanhado de uma 'porta', pega mal, entende ?
Ah, e os atributos físicos então ? Tenha seios bonitos , não muito grandes , não muito pequenos , na medida. E isso vale pra barriga, pra bunda - acredite -, pra coxas , pra quadris, pra boca, pra QI. Tudo é passível de julgamento, tudo tem que estar na medida. Na medida de que ? - perguntam. Do que estabeleceram - respondo. Quem estabeleceu? - perguntam. Não faço a menor idéia - encerro.
Variando de lugar pra lugar , de sociedade pra sociedade e , ocasionalmente, de indivíduo pra indivíduo, os estereótipos se formam e de repente são uma exigência, pressupõe-se que você seja inteligente, engraçada, simpática e bonita, tudo na medida certa, na quantidade suficiente e ai de você se não for.
A verdade é que todos nós dessa sociedade manicomial, desse grande circo sem muita graça, andamos na corda bamba. Na busca de uma aparência perfeita, de um amor perfeito (pros poucos que ainda acreditam) , de um relacionamento perfeito, de uma carreira perfeita... e assim vai. Uma sociedade que se veste de democracia, se enfeita de um falso respeito à diferença e se cobre de um moralismo hipócrita, é nessa sociedade que vivemos, é isso que criamos. Um mundo em que tem de tudo em abundância, menos verdade.

Clara Delfino

Oi pessoas (que eu não sei se realmente existem),

Me deu vontade de retomar esse blog que já tinha ficado esquecido num cantinho da minha memória , enfim , aqui estou. Primeiro talvez seja bom explicar porque eu abandonei , porque eu sumi . Entre milhares de provas , e aulas , e festas , e coisas - das mais variadas possíveis - ficou difícil manter qualquer vida 'virtual', o único que eu ainda manti foi o fotolog , acho que mais pela possibilidade de ser um registro dos dias loucos , lindos e passageiros (como todos os outros) que vivi . Enfim , agora eu tô de férias e essa desculpa não deveria caber tanto , mas ainda cabe muito , me sobra muito pouco tempo pra tudo que eu quero assistir, ler , escrever, falar, fazer , mas vou tentando , quem sabe eu consigo ? O outro motivo, e esse pra mim sempre foi muito digno e válido, mas hoje me parece bem idiota, é que meus textos quase sempre falaram sobre amor (ou desamor, como diria a Yasmin) e eu cansei, cansei de ficar pegando um filete de sofrimento e transformando em pequenas cartas suicidas, cansei de culpar pessoas, e principalmente, cansei de me culpar. Há tanta coisa melhor pra fazer , eu descobri que há. Então aconteceu uma coisa estranha, quando eu fiquei longe desse drama todo, desse chororô todo, ele também passou a querer distância de mim, e daí me descobri feliz de novo. É fantástico o que descobri com isso, fantástico e óbvio : medo tem medo de coragem. Enquanto eu tinha medo do medo ele se fortalecia, quando eu fui indiferente ele deixou de existir. Outra coisa legal que aprendi nesse tempo... é que (quase todos) sentimentos só existem se nós permitimos, o que é fantástico. Ontem eu li uma frase que falava disso... Nós, os humanos, temos essa horrível e maravilhosa capacidade de sofrer pelo que não existe, do Rubem Alves , acho que foi isso que eu fiz , me apeguei tanto a uma dor que nem existia que um dia acabei por perceber que estava agarrada ao nada, e percebi ainda mais ... que fazia isso por puro tédio, por puro medo (again) de não sentir mais nada. Eu não imaginei que esse texto ia por esse caminho mas , whatever, eu vim aqui pra dizer que mudei - completamente - a temática desse blog , ainda escrevo (muito raramente) textos de amor e (e muito mais raramente) de desamor, mas eles não me interessam muito, e se aparecerem por aqui serão minoria. Basicamente isso aqui vai ser pra eu registrar uns pensamentos grandes que andam me ocorrendo, no ritmo que eu ando mudando seria bom um registro de algumas das coisas que passam pela minha mente e vida. Não sei se alguém vai ler e, sinceramente, não me importa tanto assim, é mais uma forma de falar o que não cabe no silêncio, e que me sufocaria se eu não falasse, tenho medo de sufocar no que não foi dito. Enfim , já tô ficando literária demais again, melhor encerrar por aqui. A esse respeito... eu não vou medir muito minhas palavras então, se incomodar a alguém faça-se o favor de parar de ler e viver sua vida.

Enfim, ciao.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

faxina

Hoje andei revendo meus conceitos , dando uma atenção mínima a essa bagunça que tá dentro de mim, a essa soma de sentimentos confusos e contraditórios que acabam por se anular, sem de nada me servir . Olhei cada pequeno amor , e vi que nem coladoumnooutro iam me fazer alguma diferença , e já que não me acrescenta eu descarto né ? É, é melhor, é como aquele livro que eu sei que nunca vou ler, simplesmente porque não me conquista pela capa e prefácio, é como aquele cantor que não importa as indicações, eu não vou baixar, não é o momento. Olhei um outro tipo de amor, o próprio, o que me ajuda no momento em que o espelho me critica , o que me levanta quando eu deixo um dos amores pequenos ficar maior que eu, me engolir e me maltratar, que amor feliz é esse! Que amor raro de se ter ! Por isso eu arrumei um espaço grande pra esse que ignorei por tanto tempo. No meio de todos aqueles textos e sentimentos amotoados eu não consegui deixar de ver uma espécie de bicho-papão encolhido no canto da sala , não precisei pensar pra reconhecer , era o medo . Olhei pra ele com atenção, ele olhou pra mim, me implorando pra ficar, me disse que sempre me serviu, sempre me ajudou, chegou até a dizer que me trouxe até aqui. O olhar dele dava pena, revirei umas fotos de um álbum que tava na minha mão e olhei praqueles sorrisos, praquelas festas e abraços e beijos e noites inesquecíveis, olhei pra ele de novo , olhei de volta pras fotos, ele não estava lá , e fazia todo sentido , por que ele estaria ? Se esse tempo todos se me barrou, só me impediu de arriscar, de viver, de ser feliz . Me aproximei como se fosse lhe abraçar, e disso serviu o mínimo estoque de falsidade que eu tinha, o segurei pela nuca e o joguei pela janela , do último andar de mim, e que a queda seja dolorosa. É , por ora me sinto mais organizada sim, vejo a felicidade flutuando por aí e tenho certeza que fiz um bom trabalho . Depois eu volto pra matar a saudade, ela que se prepare.

clara delfino